A Mata Atlântica no Parque do Zizo encontra-se em avançado estado de conservação. Aqui não há espécies introduzidas nem animais domésticos ou outro impacto humano. É a floresta em seu mais puro estado de conservação.
Acesso
O acesso ao Parque do Zizo é fácil e qualquer carro chega até nosso estacionamento, a 700mts da pousada. Veja como chegar.
As florestas da Serra de Paranapiacaba formam, sem dúvida, não só o maior bloco restante de Mata Atlântica mas também o mais bem preservado. Aqui na nossa região a ocupação humana ao longo dos séculos sempre foi baixa e menos intensiva se comparado com outras áreas de Mata Atlântica. Isso explica, em parte, porque ainda temos grandes áreas de floresta primária, com árvores centenárias e enorme biodiversidade vegetal e animal.
Felizmente o desmatamento da Mata Atlântica úmida, pelo menos nesse momento, diminuiu bastante e até a caça, realizada durante muitos anos na região, também diminuiu muito. Isso talvez justifique o aumento no número de mamíferos como porcos-do-mato, pacas e antas, entre outros. Dados revelados recentemente mostram que o Estado de São Paulo, entre 2008 e 2010, desmatou apenas 5,79 km2 e que a Mata Atlântica como um todo perdeu apenas 0,04% de sua cobertura florestal. No entanto é preciso tomar cuidado com o novo Código Florestal que, na opinião de muitos especialistas, como Mario Mantovani, do SOS Mata Atlântica, pode significar uma “volta ao passado”. Veja mais dados clicando aqui.
Observadores de aves em uma de nossas trilhas. O eco-turismo é uma das ótimas alternativas para a manutenção das florestas preservadas.
Venha você também conhecer nossas florestas preservadas e ajudar na criação da RPPN. Uma boa alternativa são as viagens organizadas pelo fotógrafo e guia Octavio Campos Salles, visite seu site para mais detalhes.
Semana passada, durante o workshop do Octavio Campos Salles, foi encontrado um filhote do casal de murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) que habita a clareira da pousada e áreas ao redor. Essa é a época do ano onde vemos muitos filhotes de aves com os respectivos pais trazendo alimento. Com a coruja não foi diferente, pudemos ver por mais de duas horas os pais trazendo alimento pro filhotão, na maioria das vezes cigarras e outros insetos grandes.
Essa espécie de coruja geralmente tem apenas um filhote por ano, que permanece no ninho por cerca de 5 a 6 semanas, quando sai ainda sem saber voar. Esse já sabia, mas ainda não voava muito bem. O filhote continua recebendo cuidados dos pais por alguns meses, até que se tornem totalmente independentes e busquem um território próprio em outro local da floresta. Veja abaixo algumas fotos.
Semana passada o guia Octavio Campos Salles, durante uma de suas viagens guiadas Bird & Foto, registrou um bandinho de tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula) e um filipe (Myiophobus fasciatus), ambos no brejo na parte alta do parque. Com esses dois novos registros nossa lista de aves já registradas no parque chega a 297 espécies, faltando pouco pra 300.
Com isso vamos lançar uma promoção onde, quem registrar a espécie de número 300 primeiro, ganha uma diária em uma das viagens do Octavio. Vale apenas registro onde não há dúvidas da identificação da espécie. Pode ser registro fotográfico/video ou gravação do som. Confira aqui nossa lista de aves.
O sabiá-cica (Triclaria malachitacea) é uma das aves mais raras da Mata Atlântica, e também ameaçada de extinção. Apesar do nome, não têm nenhuma relação com os sabiás da família Turdidae, famosos pelos seus cantos harmoniosos. O sabiá-cica é na verdade uma espécie de papagaio (Pscittacidae). Endêmico da Mata Atlântica, possui esse nome graças a seu canto, que por vezes lembra bastante um sabiá e muito pouco um papagaio. Mas não é só isso que torna essa espécie um papagaio bem diferente das demais: o hábito de viver no subbosque do interior da floresta, as vezes se alimentando até no chão, difere em muito dos outros papagaios, além de outras diferenças morfológicas (como a cauda comprida), tanto que a espécie possui um gênero científico só pra ela, o Triclaria.
Recentemente temos visto a espécie com mais frequencia próximo da pousada, o que pode indicar a presença de algum ninho na região ou de alguma árvore frutífera preferida.
Confira o canto da espécie, gravado por Jeremy Minns, o segundo canto foi gravado aqui no Parque do Zizo:
As nossas armadilhas fotográficas continuam registrando os mamíferos que tem hábitos noturnos no Parque. Achamos que é uma espécie da família dos Gambás e aproveitamos a oportunidade para quem souber identificar, que nos ajude. Desde já agradecemos.
Semana passada descobrimos mais um sinal da presença de onças-pintadas no Parque do Zizo. Um tronco caído na trilha do Ouro Fino, já perto da pousada, com marcas bem grandes e profundas de unha, que certamente só pode ter sido feito por ela. Elas fazem essas marcas em locais bem visíveis pra marcação de território.
O macuco (Tinamus solitarius) é uma ave ameaçada da Mata Atlântica, inclusive lamentavelmente já foram extintos em muitos locais devido à pressão de caça. Vivem caminhando no solo de florestas altas, comendo insetos, sementes, frutos caídos e, raramente, anfíbios. Estima-se que cada macuco tenha um território de aproximadamente 30 hectares. Aqui no Parque do Zizo são comuns e todos os dias ouvimos seus piados pela mata, inclusive bem próximo da pousada.
Semana passada encontramos alguns ovos de macuco, todos já eclodidos. Inclusive havia um filhote por perto. Deixamos o local rapidamente para não expor o ninho a predadores. O macuco sempre faz o ninho no chão da floresta mesmo, seus ovos chamam bastante atenção com uma cor azul-turquesa muito bonita.
E nossa lista de aves não pára de crescer, semana passada começamos a explorar melhor o grande brejo em nossa propriedade na estrada de acesso, na borda da mata, e rapidamente descobrimos duas espécies novas, tico-tico-rei (Lanio cucullatus) e beija-flor-de-orelha-violeta (Colibri serrirostris). Com certeza o local guarda muitas outras surpresas e passará a ser mais explorado daqui pra frente.
Clique aqui para ver nossa lista atualizada, que já conta com 295 espécies… faltam poucas pras 300!
Semana passada a armadilha do Guilherme Ortiz filmou uma anta adulta bem perto da pousada. O número de antas vem crescendo bastante nos últimos anos, já que a caça hoje em dia é quase inexistente nessa região. Não é raro, diríamos até que é relativamente comum, avistar antas na estrada de acesso, já chegando no parque, no finalzinho da tarde e a noite.
É cada vez mais frequente a visualização de um grande grupo de mono-carvoeiros (Brachyteles arachnoides) no Parque do Zizo. Nas últimas semanas encontramos com eles algumas vezes próximo da pousada, na região do Rio Ouro Fino, em mata primária. Talvez sejam mais de 30 macacos, muitos com filhotes. O mono-carvoeiro é o maior primata das Américas, chegando a 15 kg, e também um dos mais ameaçados de extinção. Existem hoje na natureza apenas cerca de 1.500 indivíduos, com a maior parte da população habitando as matas da nossa região e do vizinho Parque Estadual Carlos Botelho.
É um bicho endêmico do Brasil, sendo aliás o maior mamífero endêmico de nossas terras. Costumam ser bem calmos e pacíficos, a própria origem do nome muriqui (um outro nome pelo qual é conhecido), vem do tupi e significa “preguiçoso”. São inclusive considerados um extremo entre os primatas pela sua baixíssima agressividade. Locomovem-se pelo alto das árvores, dando preferência aos galhos mais fortes. Podem saltar até 10 metros entre uma árvore e outra. Segue abaixo duas fotos feitas pelo amigo Sérgio Coutinho.
Foto: Sérgio Coutinho
Foto: Sérgio Coutinho
Outro primata que temos visto também é o bugio (Alouatta guariba), que costumam gritar em coro de manhã, para a manutenção de território.